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Curso ATLS

QUALIFICAÇÃO MÉDICA A SERVIÇO DA SOCIEDADE

Até o início dos anos 80, quem atendia ao trauma o fazia sem basear-se em uma concepção específica e sem a exigência de uma qualificação especial. Simplesmente não havia padrão nem prioridades definidas para assistência às vítimas de trauma grave, salvo elementos muito pontuais.

Cada profissional o fazia de acordo com seu conhecimento e experiência em emergências clínicas, seguindo uma rotina que, posteriormente, se mostrou pouco adequada ao trauma, embora fosse o estado da arte de então.

Não havia outra maneira lógica de manejar o atendimento, seja na sala de emergência, seja no incipiente sistema pré-hospitalar. Era impossível, portanto, definir rotinas que permitissem gerenciar o trauma de forma mais eficaz.

A medida que as áreas urbanas se desenvolveram, as lesões de trânsito e a violência interpessoal cresceram, mas cresceu também a ideia de que o trauma desorganizava o atendimento de urgência e, por via de consequência, a maior parte dos hospitais fechou-lhe as portas. Exceto em poucos serviços públicos, o transporte imediato era utilizado para não acumular esse fardo.

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O Curso ATLS propiciou, além de capacitação médica e mudança na cultura pré-existente, que negava o valor do treinamento médico e da simulação, um sistema capaz de organizar o atendimento ao trauma em um nível não experimentado por nenhuma outra área da medicina, exceto talvez, a das emergências cardiovasculares através do programa parônimo, o Advanced Cardiologic Life Support (ACLS). Infelizmente, por diversas razões, a maior parte dos médicos que atua nas emergências não possui essa formação.

O aprimoramento do ABC do trauma, a qualificação profissional e a segurança das equipes treinadas no atendimento ao trauma se tornaram responsáveis pela sua grande e progressiva aceitação pela comunidade médica e pelas Instituições de saúde.

Mas além do treinamento, o curso ATLS tem conseguido agregar profissionais do trauma em núcleos regionais e promover a sua interação, criando um ambiente muito propício para disseminação e renovação do conhecimento.

Vários efeitos positivos se sucederam com a evolução do programa e produziram uma verdadeira revolução no atendimento mundial ao trauma, embora não seja possível atingir o número total de “targets”, uma vez que o atendimento às emergências e ao trauma constituem a área de maior oportunidade de emprego no campo da saúde.

A necessidade de que o treinamento seja feito em grupos relativamente pequenos, a fim de que atinja seus objetivos e a qualidade necessária, constitui um fator limitante para a qualificação em massa, como seria justo idealizar, mas impossível de realizar. Houvesse de parte das autoridades um maior apoio ao programa e, quem sabe, ele poderia ser estendido a mais lugares, mais médicos e mais hospitais, poderia salvar mais pessoas e levar um  atendimento de melhor qualidade, a mais comunidades.

 

Ao longo desses anos todos vários trabalhos foram realizados para avaliar os resultados obtidos pelos egressos dos cursos na qualificação do atendimento. Com diversas metodologias, em serviço e em treinamento, durante o atendimento e, muitas vezes comparando o antes e o depois em um mesmo serviço. A maioria deixa claro o impacto positivo que o curso ATLS causa na sobrevida e na assistência às vítimas de trauma e na administração hospitalar.

Outras áreas da medicina cresceram na esteira da eficiência do programa que também fez desabrochar o atendimento pré-hospitalar em ambiente civil.

O trauma é a principal causa de mortalidade nas primeiras quatro décadas de vida representando um imenso ônus para toda a sociedade, por isso, apoiar o ATLS, fazer com que se projete cada vez mais e que percorra os mais remotos cantos do Brasil é levar à comunidade médica ferramentas que podem representar mais saúde e civilidade para a população.

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