Embora a ultrassonografia já tenha espaço e importância bem definidos no atendimento ao trauma e emergências, a técnica apresenta uma constante evolução! Com os modernos aparelhos disponíveis é possível realizar o exame já na fase pré-hospitalar, enquanto o paciente é conduzido ao hospital.

Ultrassom portátil

Ultrassom portátil usado em cursos do CETS – a imagem é formada na tela do smartphone

 

As facilidades oferecidas pelo método, aliadas a sua relativa segurança diagnóstica e inocuidade, atribuem celeridade ao diagnóstico. Assim, o início do tratamento e uma possível indicação cirúrgica ocorrem mais rapidamente.

As grandes limitações do ultrassom na urgência sempre foram:

  • custo do aparelho;
  • dificuldade em dispor de ultrassonografista para realizar a avaliação;
  • impossibilidade de levar o equipamento à sala de emergência (de onde o paciente, idealmente, não deve sair).

Com o processo de miniaturização dos equipamentos de ultrassom e os novos treinamentos especializados para cirurgiões e médicos socorristas, a ecografia passou a ser realizada na própria sala de reanimação, possibilitando dinamizar a indicação ou exclusão do tratamento cirúrgico. O momento chave do ultrassom no trauma ocorreu na década de 90, com a criação do FAST (Focused Abdominal Sonography for Trauma) – utilizado para avaliar a presença de líquido livre no interior da cavidade abdominal e do pericárdio.

Novas possibilidades foram introduzidas pelo programa ATLSAdvanced Trauma Life Support e passaram a fazer parte do algoritmo do atendimento ao trauma. O chamado FAST estendido (ou EFAST) abraçou novos diagnósticos – úteis não só no atendimento intra-hospitalar, mas também no pré-hospitalar e na beira do leito. Além de atender de forma ágil situações mais convencionais, o exame ampliado pode auxiliar nos casos de acidentes com múltiplas vítimas e em zonas de conflito bélico, propiciando uma avaliação mais rápida e não invasiva. Seu papel como método de triagem ainda está em desenvolvimento, mas logo deverá ser relevante também para definir a destinação dos pacientes.

No Brasil o emprego do ultrassom no sistema de urgência ainda depende da hora do dia e, consequentemente, da disponibilidade de profissionais e de aparelhos. Poucos serviços dispõem de um setor especializado disponível a qualquer hora. O emprego de aparelhos portáteis, deslocáveis com facilidade, ou próprios da sala de emergência ainda não é uma realidade. No entanto, o equipamento por si só, não é suficiente para resolver o problema – o exame requer qualificação para o seu manejo e correta interpretação dos achados.

Esse conhecimento, idealmente empregado por ultrassonografistas pode, na ausência dos mesmos e mediante curso de qualificação, possibilitar que o médico emergencista realize um exame focado usando metodologias como o USETFAST, onde o treinamento é direcionado a um grupo específico de achados, mais acessível ao não-especialista, mas requer horas de prática no pronto-socorro, além de um curso de preparação. O treinamento não forma um especialista em ultrassom, mas propicia que cirurgiões e médicos socorristas desenvolvam habilidades que podem trazer grande benefício aos pacientes.

Comentários

comentários